Ronaldo Fenômeno foi ao Burning Man. A Comuna é o novo Baixo Gávea. Fim dos tempos?

Há mais ou menos uma semana, Ronaldo Fenômeno publicou, no seu Instagram, uma foto em que ele aparece andando de segway no outrora hippie Burning Man. Não demorou pra que reações de espanto começassem a aparecer.

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“Festival Burning Man é a nova Trancoso dos ricos e famosos”

“Ronaldo Fenômeno vira hippie em festival nos Estados Unidos”

“Ciclo fechado, cadê a nova contracultura?”

Devo dizer que não fiquei surpreso com um cara rico e famoso frequentando um festival como o Burning Man. O que me surpreende, na verdade, é continuar a ver reações como essas. Ou é preto ou é branco, ou é oito ou oitenta, ou é Burning Man ou é Ronaldo.

O que me espantaria, nesse sentido, seria ver um festival crescer, ganhar mais atenção e mais dinheiro, e ainda assim permanecer com o mesmo público, estático. Pra quem mora no Rio de Janeiro, pense na Comuna. Pra quem não, pense naquele local da sua cidade que já foi cool, hipster, hypado (ou como você preferir chamar) e que aos poucos foi se tornando mais… eclético, comum, popular.

Ou seja: menos exclusivo. Reflitamos por um momento nessa palavra: exclusivo. O que é exclusivo é bom, certo? Pelo menos essa é a associação imediata que fazemos, já que a ideia de “exclusividade” é largamente usada na publicidade e em outras áreas pra designar algo de valor, único, acima da média. Mas nos esquecemos que exclusivo é a qualidade do que exclui, do que pratica a exclusão. Percebam que a palavra “exclusão” já não soa tão boa bonita.

Me surpreende a supresa das pessoas ao ver Ronaldo no Burning Man porque esse movimento (um público diferente do “original” começar a frequentar um certo evento ou local) é algo que sempre existiu, sempre vai existir e em muitas das vezes ele não é sinônimo de descaracterização. Quem se sentir invadido e incomodado tem duas opções: reclamar e tentar expulsar os invasores ou então aceitar esse movimento como algo natural e simplesmente passar a frequentar outros eventos e locais. Me parece que a segunda opção funciona melhor.

Mas há também quem fique deboas e não se sinta invadido nem incomodado. É tudo uma questão de identidade e, principalmente, de política.

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Brasileiro residente em Berlim. Viciado em música, arte e futebol. Coautor do livro 'D4', de contos e poesias, publicado pela Editora Multifoco, e Marketing Campaign Manager na empresa upday.com