Deli Entrevista: Louis-Nicolas Darbon

(Please scroll down for the original version in English)

Pra esse artigo de hoje tivemos o prazer de entrevistar Louis-Nicolas Darbon. Nascido na França, o artista mistura ícones da cultura pop, moda e crítica em seu trabalho, tendo como resultado obras de impacto visual que são absorvidas de maneira fácil e divertida, mas que nem por isso caem no vazio. Falamos sobre sua trajetória, apropriação cultural, hipsters e cultura do consumo. Confira abaixo.

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– Olá Louis-Nicolas, antes de tudo, muito obrigado por estar disponível pra essa entrevista. Fale-nos um pouco sobre seu background: o que você estudou e como começou sua carreira artística?

Nascido e criado em Paris por um pai francês e mãe de La Réunion, comecei a pintar desde cedo. Acho que nessa época meus pais já viram minha paixão pela arte e me mandaram pra várias aulas de arte. Ao crescer mantive essa paixão comigo e continuei pintando durante minha Faculdade de Administração. Tive a sorte de estudar em cidades como Nova Iorque, Tóquio, Hong Kong e Shanghai, isso me deu muita inspiração. Mas por algum motivo eu não pintava tão frequentemente quanto gostaria.

Quando eu vim pra Londres há cerca de cinco anos pra trabalhar numa grife de luxo, eu não vinha pintando há algum tempo, mas por alguma razão eu me senti inspirado por Londres e a cidade me deu uma motivação extra pra continuar. Pra ser sincero eu nunca imaginaria que após quatro anos eu teria levado minha arte aonde ela chegou agora, é um grande sonho poder fazer o que eu mais gosto.

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– Em “King Samo” você retrata uma capa da revista Rolling Stone em que Basquiat aparece com o famoso raio de David Bowie em seu rosto. “Cara”, por sua vez, mostra Cara Delevingne com orelhas do Mickey Mouse rodeada pelas logos da Chanel e da Louis Vuitton. Que tipo de reflexão essa mistura de ícones pop pretende trazer e como você vê o conceito de autoria atualmente?

Todas as gerações tiveram os ícones de seu tempo, mas a minha geração em particular vem sendo bombardeada com celebridades, marcas e logos. Atualmente você pode colocar uma logo da Chanel ou da LV em frente a uma criança de seis anos que ela vai saber do que se trata. Vindo de um background fashion eu acho interessante, divertido e liberador brincar com essas mensagens.

Eu recebo bastante essa pergunta sobre autoria, pra ser sincero nós vivemos num tempo em que ninguém possui o controle mais, muitos artistas famosos inspiraram-se em outros grandes artistas. Os números de obras e inspirações são infinitos, mas a questão é como você transforma isso em sua própria obra e coloca sua própria assinatura e toque pessoal nela. Acho que é sobre como você traduz sua inspiração, visão e emoções para a tela, é isso que faz a diferença.

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– Li recentemente sobre uma faculdade americana que está oferecendo um curso chamado “Desmistisficando o Hipster“. De acordo com a descrição do curso, o hipster é uma figura cultural controversa, que causa tanto inveja quanto repulsa. Essa mesma descrição apresenta uma pergunta sobre a qual queria pedir sua opinião: hipsters fazem parte de uma contra-cultura ou eles são apenas mais um nicho de marketing no mainstream?

A sociedade presenciou uma série de subculturas desde décadas, de hippies, rockabillies até punks e hipsters. Subculturas vêm sendo criadas pela sociedade e acho que seres humanos gostam de se colocar numa determinada categoria por causa desse sentimento de pertencimento que te faz sentir mais seguro. Se você procurar no Google a definição de hipster ele diz: a pessoa que segue as últimas tendências e modas, especialmente àquelas consideradas como estando fora do mainstream cultural. Mas o que isso quer realmente dizer? Que todo mundo que segue tendência mas que está fora do mainstream pode ser considerado hipster? Eu discordo, é só um nicho de marketing.

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– O símbolo do dólar está presente num contexto negativo em vários dos seus trabalhos. É uma crítica à cultura do consumo? Como você descreveria suas preferências políticas e as mensagens políticas por trás desses trabalhos?

Londres, como várias outras cidades no mundo é movida por dinheiro, não há como negar isso. Mas não acho necessariamente que isso seja uma coisa ruim, muito talento é alimentado graças a isso. Gosto de usar ironia em minhas pinturas e tendo crescido vendo Duck Tales, e o fato de que Tio Patinhas é um personagem dos anos sessenta, acho importante retratar um tema tão atual em nossa sociedade.

 

– English version –

For today’s article we had the pleasure of interviewing Louis-Nicolas Darbon. Born in France, the artist mixes on his work pop culture icons, fashion and critic, which results in pieces of high visual impact that are easy and fun to absorb but without falling into emptiness because of that. We talked about his career, cultural appropriation, hipsters and culture of consumption. Check below.

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– Hi Louis-Nicolas, first of all, thank you very much for being available for this interview. Tell us a bit about your background: what have you learned at university and how did your artistic career begin?

Born and raised in Paris by a French father and mother from La Reunion, I started painting already at a very early age. I guess my parents saw early on my passion for art and sent me to various art classes. Growing up I always kept my passion on the side and I continued to paint throughout my Business School. I was lucky to have had the chance to study in cities such as New York, Tokyo, Hong Kong and Shanghai, it gave me loads of inspiration. But for some reason I didn’t paint as regularly as I wished to.

When I came to London about five years ago to work for a big luxury fashion house, I hadn’t been painting for some time, but for some reason I felt inspired by London and the city gave me that extra motivation to start. To be honest I could never have imagined that four years later I would have taken my art to where it is now, it is an absolute dream to be able to do what I love the most.

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– In “King Samo” you portray a Rolling Stone magazine cover in which Basquiat appears with the well-known David Bowie lightning bolt on his face. “Cara”, in turn, shows Cara Delevingne with Mickey Mouse ears surrounded by the logos of Chanel and Louis Vuitton. What kind of reflection that mix of pop culture icons intend to bring and how do you see the concept of authorship nowadays?

All generations have had their icons of that time, but my generation in particular has been bombarded with celebrities, brands and logos. These days you can put a Chanel or an LV logo in front of a six years old and they would know what it is. Coming from a strong fashion background, I find it interesting, fun and liberating to play around those messages.

I get the question about authorship a lot nowadays, to be honest we live in a time where no one owns the control anymore, many famous artist have taken inspiration from other great artists. The number of artworks and inspirations are endless, but it’s how you turn that in to your own piece of work and put your own signature and touch to it. I guess it’s all about how you translate your inspiration, vision and emotions on a canvas that makes the difference.

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– I recently read about an american university that is offering a course called “Demystifying the Hipster“. According to the course’s description, “the hipster is a devisive cultural figure that elicits both envy and outrage”. This same description presents a question about which I would like to ask your opinion: “are hipsters part of a counter-culture, or are they just another marketing niche in the mainstream?”

The society has seen a range of subcultures since decades, from hippies, rockabillies to punks and hipsters. Subcultures have been created by the society and I think human beings like to put themselves in a certain category, it’s this whole feeling of belongingness which makes you feel more secure. If you Google the definition of a hipster it says; “a person who follows the latest trends and fashions, especially those regarded as being outside the cultural mainstream”. What does that mean really? That everyone that follows trends but are outside the “mainstream” are hipsters? I don’t think so, it’s just another marketing niche.

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– The dollar sign is presented in a negative context in several of your works. Is it a critic to the culture of consumption? How would you describe your political preferences and the political messages behind these works?

London, like many other cities in the world is driven by money, there is no denying in that. But I don’t necessarily think that’s a bad thing, a lot of talent is being nurtured thanks to that. I like to play around irony in my paintings and having grown up watching Duck Tales, and the fact that Scrooge is a character from the sixties, he feels relevant portraying a very current topic in today’s society.

 

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Brasileiro residente em Berlim. Viciado em música, arte e futebol. Coautor do livro 'D4', de contos e poesias, publicado pela Editora Multifoco, e Marketing Campaign Manager na empresa upday.com