Bronco de tudo, mas em casa chora.

Hoje à caminho da Zona Norte, peguei um taxi em frente ao Maracanã, onde já chorei, e muito. Onde o Brasil já chorou em 50, onde alguém vai chorar na final dessa Copa, seja vencendo ou perdendo. Dei sinal e um carro desses novos veio do outro lado da pista, afoito, ligando a seta para não perder a corrida. Sentei meu traseiro no banco o motorista começou o papo(sem fim):

– Me dei bem! – Efusivo. – Estava já indo pra casa, corridinha caiu do céu.

– Pode crer, bom pra todos. – Comentei simpático.

– Vai assistir o jogo aonde, você?

– Sabe que não sei?! – Mentira, sabia sim, mas quis dar corda. – E você, amigo?

– Sei não também. acho que em algum bar mesmo.

– Pois é, vê isso logo. É importante que tenha lugar pra sentar com uma visão boa pra tevê.

– Fala não, tô ligado. – Dando uma volta de 180 graus, no papo, não da direção, pelo amor. – “Parcêro”, outro dia entrou uma colombiana aqui, vou te falar, que coisa fina! Toda cheirosa, “meia” ruiva ela, tinha que vê! Levei ela na barra. “Cumpadi”, ela sentou aqui na frente, pagou calcinha e tudo! Fiquei doido! – Depois olhou no retrovisor pra ver se eu estava prestando atenção e mandou. – Imagina ela no seu ouvidinho falando sacanagem em castelhano, “parcêro”?!

– Caralho… – Pensei em voz alta.

– E você não sabe, ela estava indo num condomínio na barra. Cheguei lá, e fava tendo um jogo num campo society. Valderrama, lembra dele? Pois é, tava jogando na pelada.

– Porra, sério?! Esse cara é foda. – Realmente pago pau pro Valderrama, o cara é referência, no futebol e no estilo(no duro).

– Fera, mas aí, fiquei solteiro agora, não tô podendo ver mulher. Fico fora de controle! essa semana mermo, peguei uma novinha!

– Olha aí…

– Sabe quantos anos?! – Ele olhou pelo retrovisor pra ver o impacto que teria quando soltasse a bomba. – 17, “parcêro”.

– Dezessete?! Isso dá uma cadeia que não tá no gibi, mermão. – Sempre comento isso quando alguém conta sobre treta, vi no Hermes e Renato, levei pra vida.

– Ih, tem nada não! Nêgo já passou o p*** na minha filha, eu vou dar mole?! – Depois corrigiu. – Filha não, enteada.

Ele continuou contando os detalhes sórdidos de sua aventura profana com a jovem donzela. Não me poupou nem mesmo dos comentários feitos por ambos durante o ato, sórdido, no duro. Se tivesse uma filha dessa idade teria vomitado. E depois foi ladeira abaixo no próximo assunto(no assunto, pois nessa hora passávamos por um viaduto):

– É mermão, o coroa aqui ainda dá um trabalho! Tô meio fora de forma, mas aos poucos a gente retoma o ritmo da putaria – Parecia que eu estava falanod com o Mr. Catra, mas ele mudou o tom de voz e emendou. – Fiquei 18 anos casado, perdi minha mulher pra farra… É foda porque eu gosto dela e tudo, mas deu ruim, parcêro. Casa caiu.

– Qual foi, tu fez merda e ela descobriu?

– Não, foi assim…

 Ele contou que trabalha fim de semana, e a mulher dele começou  querer sair com as amigas. o negócio começou a ficar constante, passou verão em Araruama(summer love?) e depois do carnaval, já no Rio intensificou a vida festeira, até o dia que ela dormiu 3 noites fora na mesma semana. Foi o ápice, e o coitado não suportou. Daí eu fiquei com uma pena danada, e quase bati no ombro dele, mas me contive. Olhei o celular e não tinha chegado nenhuma mensagem. Nenhuma que me fizesse pensar.

– Falei pra ela assim mermo… – Se auto parafraseou – “Vaza daqui! você é uma mulher casada, e fica aí querendo ter vida de periguete! Volta lá pra onde você tava, suas amigas, seu macho, sei lá o que você arrumou por aí! Que se foda! Pega suas coisas e vaza daqui!” – Mais calmo comentou, quase miando. – Botei pra fora, irmão. Que que há!? Se fuder…

– Que isso cara, que loucura! – Não sabia o que falar.

– Ela tem um salão… dela. eu ajudei, mas foi suado mermo, ela batalhou. – Senti um ar de encantamento, romantizava sobre a amada, eu já fiz muito isso, faz um bem danado. A gente sempre se identifica, nem que seja no menor dos nunces, se é que esses têm tamanho. Acho que é percepção, mesmo. Mas depois caiu o semblante, senti um ar de depressão com picos de revolta. – É parcêro, se eu fui corno eu não sei. Provável que sim. Agora eu tô tendo que pagar àquela lá dois mil por mês. Vou ter que pagar também metade do valor da minha casa. Eu criei dois filhos dela, cara, que ela teve antes de me conhecer. Criei igual filho mermo, tá ligado. E tive um menino com ela que hoje está com 15 anos. 18 anos com ela, parcêro, e ela vem falar pra mim que agora vai arrumar um homem pra bancar ela, porque ela não abre mão dos perfumes e da roupa dela.

Chegamos ao destino dei o dinheiro trocado da corrida, e disse:

– Cara, não sei nem o que te falar. Mas pô, boa sorte aí nessa sua nova vida e também pra resolver esses problemas com sua ex. – Lembrei de algo que poderia ser um alento. – Meu pai me disse uma vez que antigamente as sogras aconselhavam as filhas pra manter o casamento, se o marido fosse digno. O conceito era outro, mas em geral havia compreensão. E que hoje em dia as sogras mandam as filhas logo colocar no pau. “Coloca na esse filho da puta na justiça!” – Imitei com uma voz non sense. – E aí que tá, o que eu diria pra você… percebi que você ainda gosta dela, então porque não escutar às sogras do passado?

– Você tem quantos anos, fera?

– 28.

– Logo vi que era novo, mas tu tá esperto. Mas cuidado, porque mermo assim, a mulher quando quer, ela te fode. Te ferra a vida toda, de verdade. – Continuou. – Irmão, Deus é maravilhoso. O que é dela tá guardado, ela ainda vai pedir pra voltar. vai sim, eu sei que vai.

Bronco de tudo, mas eu aposto que em casa ele também chora.

 clint-eastwood

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Formado em 2006 pelo IFF em Design Gráfico, Sérgio Barbosa não se limitou à sua área de formação acadêmica, também já trabalhou como designer de moda e gestor de projetos de co-branding, licenciamento e mídia indoor na empresa Reserva. Como empreendedor criou o site de arte e humanidades deli, e também o selo de sportwear BRAVO F.C., cuja proposta é: aproximar as pessoas das suas paixões. Através de projetos de licenciamento de clubes de futebol de menor expressão, para desenvolvimento e comercialização de linhas de produtos premium. Um sonhador, romântico inveterado, deveras apreciador do bom uso da palavra, assim como das artes em suas diversas aplicações, dentre todas as outras formas de amor.