Impressões sobre o novo disco da Nação Zumbi

Sexteto finalmente quebra o silêncio em disco bem azeitado“, álbum que “pode ser caracterizado como um renascimento da banda“, mas que “não ousa como nos trabalhos anteriores“.

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Como se pode ver, a crítica recebeu com elogios moderados o disco de 2014 da Nação Zumbi, o primeiro após um hiato de sete anos. O clima morno predominante contrasta com o tamanho da expectativa que foi criada durante todo esse tempo. Expectativa que talvez tenha sido, a meu ver, o maior peso nas costas da banda.

Se musicalmente falando o disco não decepcionou – uma observação quase onipresente é sobre os “arranjos mais encorpados” – o mesmo não se pode dizer sobre a sensação de uma parte dos fãs, na qual me incluo, de que as novas músicas deixaram sim a desejar. Particularmente esperava um disco menos convencional e mais arrebatador, na linha de “Da lama ao caos”, “Afrociberdelia” ou do homônimo de 2002. Esperava uma parceria com, sei lá, Karina Buhr, e não com Marisa Monte. Esperava, enfim, um álbum menos pop e sim mais psicodélico e pesado, como foram quase todos os outros da Nação.

A análise do site Monkeybuzz é a de que a banda está buscando cativar novos ouvintes, um público maior e mais jovem. Mas em declaração recente Jorge Du Peixe dá a entender que o disco saiu mesmo de maneira orgânica: “Estamos muito felizes com a sonoridade, com os temas, com as músicas. Fazemos músicas para a gente, a gente tem que gostar antes de qualquer coisa”.

Depois de sete anos e com toda a expectativa envolvida é compreensível que a aversão ao risco tenha prevalecido. Mas espero que o risco, a loucura e o experimentalismo voltem no próximo.

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Brasileiro residente em Berlim. Viciado em música, arte e futebol. Coautor do livro 'D4', de contos e poesias, publicado pela Editora Multifoco, e Marketing Campaign Manager na empresa upday.com