A ficção transgressiva de Chuck Palahniuk

Madison morre fumando maconha e vai parar no inferno. Bob chora sacudindo suas enormes tetas, durante um encontro de ex-usuários de esteróides. Louras boazudas e caubóis fazem sexo explícito no Festival de Testículos do Rock Creek Lodge. Assim são os personagens suados e quentes do escritor e jornalista Chuck Palahniuk. Para quem não está ligando as narrativas à pessoa, digo três palavras: Clube da Luta. O filme – fenômeno cult – é baseado no livro homônimo mais famoso do jornalista e escritor, que constrói histórias dentro do gênero que classifica como ficção transgressiva.

chuck-palahniuk-vice-magazine

“Por que desperdiçar a vida falando sobre assuntos com os quais você se sente confortável?”

Para falar sobre os incômodos e feridas abertas, Chuck usa linguagem informal e direta, cheia de detalhes ironicamente engraçados – dos que fazem você rir e, na sequência, ter vergonha de ter rido. Em “Condenada”, seu último livro lançado no Brasil, a protagonista Madison Spencer ao inferno. Em busca de Satã, a adolescente gordinha, filha de celebridades, tem que atravessar locais indigestos como o Grande Oceano de Esperma Desperdiçado, Grandes Planícies de Caco de Vidro e o Lago da Bile Tépida, ao lado de uma líder de torcida, um atleta, um nerd, e um punk.

condenada_chuck palahniuk
Ah! No inferno de Chuck, Madison trabalha com telemarketing – claro. E, segundo ele, a grande inspiração para ambientação da casa do demo foram os quartos de hotel em que dormiu enquanto promovia seus livros. Sacou o mood do cara? “Condenada” tem sequência já escrita e, nela, Madison chega aos céus. Mas, mais ansiosa do que para ler essa continuação, estou para ter em minhas mãos o Clube da Luta 2, que virá em formato de graphic novel, ainda sem data de lançamento marcada.

Tyler Durden, nosso herói, no meio do seu Clube da Luta. Sobre a vontade de trabalhar de novo com o diretor David Fincher, Chuck diz: "Meus dedos estão cruzados há dez anos. Eu não mudei meu número de telefone desde então, só na esperança de que, algum dia, Fincher me ligue e me convide para fazer algo novo." Fincher, ligaê pra ele!

Brad Pitt como o nosso herói Tyler Durden, em Clube da Luta. Sobre a vontade de trabalhar de novo com o diretor David Fincher, Chuck diz: “Meus dedos estão cruzados há dez anos. Eu não mudei meu número de telefone desde então, só na esperança de que, algum dia, Fincher me ligue e me convide para fazer algo novo.” Fincher, pô, ligaê pra ele!

A fim de personagens agressivos, auto-destrutivos e à margem da sociedade? Escolha qualquer um dos 14 livros de Chuck e entre no ringue.

heroi-envelhecido
Heróis conotam a bravura, a ousadia e a benevolência clássica nos personagens da cultura pop. Podemos chamar de vilões os vigaristas, picaretas e porque não, os covardes a quem o dito popular* se refere também como sobrevivente.  Nesse vídeo uma…
chantal-feat
Nascida em 1969, a inglesa Chantal Joffe cria pinturas provocativas, tendo a nudez e a sexualidade como temas predominantes. Seu trabalho já foi classificado como feminista, e a artista diz que sempre foi interessada nas questões políticas trazidas pela pornografia.…

Crib Tanaka é carioca, formada em jornalismo e em moda, com MBA em marketing. É sócia da Vanilla, empresa focada em marketing estratégico, onde traduz algumas de suas paixões. Crib tem passagens por veículos como Reuters, Jornal do Brasil, Moda Brasil e revista Simples, além de ter colaborado com diversas iniciativas culturais, como as revistas Mosh e Jukebox e, na internet, com os sites Pessoas do Século Passado, Cronópios, Falaê!, Spamzine, Splash e Txt Magazine. Tem textos publicados nos livros: Paralelos 17 contos da nova literatura brasileira (ed. Agir) e 46 livros de moda que você não pode deixar de ler (ed. Memória Visual). Nas horas nem tão vagas, escreve contos para respirar melhor e tira fotos para registrar ângulos internos.