Com Quantos Outlets se Faz o “Estilo Almofadinha”?! Por D’estilaria

Esse assunto realmente me atormenta. O consumo deliberado e inconsciente. De uma forma ampla diria que é o que nos f***! Sim, o jornalismo da grande rede de TV, aquele jantar salgado naquela franquia de Steakhouses, aquele hamburger safado na grife do Mc que todo mundo sabe que é uma porcaria, mas come. Há quem goste, né? Mas será que gosta mesmo, ou simplesmente aceita? Pode até ficar meio entalado mas engole com um balde de Coca-Cola gelada. Sim, eu sei que é um campo extenso, e eu realmente quero pesquisar essa área. Mas vou me abster por hora e focar no armário, o masculino para ser mais preciso.

Quantos homens você conhece que gostam de moda? Poucos, eu diria. E quanto aos vaidosos? Sim, mais fácil. Tem a balde. O consumo de moda pelos homens de uma forma geral(sim, é preciso generalizar aqui) é zero estratégico. Moda, não roupa. Quando falo moda me refiro a síntese de roupa com algum significado, por mais subjetivo que possa parecer. Fato é que o homem em questão(média) é invariavelmente afetado pelo fator marca. Por isso ele quer colocar o emblema no peito.

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Lógico, se eu não entendo, e fico retraído nesse campo, eu preciso buscar referência, copiar alguém! E quem chega para a grande massa? Não é o alfaiate inglês. É o apresentador coxinha, o cantor de sertanejo, o pagodeiro hypado. Encare os fatos, esses caras formam opinião. E no que diz respeito a moda, criam monstros. Pessoas ávidas pelo consumo de marcas, geralmente gringas. Essas marcas já sabem que aqui tem uma galera querendo, logo: vêm que vêm. Com tudo! Diferente do que endossamos aqui.

A custo de que? Imensurável. Tanto o valor que essas marcas têm para o público, quanto os danos que isso gera em contextos amplos e diversos. Sócio, ambiental, econômico e cultural. Em suma, as pessoas querem comprar, pagam o preço que for, e se não for aqui, pagando o “custo Brasil”(gosto muito desse termo, mesmo! Rs), vai ser em Miami, o paraíso dos outlets.

É rotina escutarmos de pessoas da classe média que estão viajando para comprar. Os brasileiros são uns dos que mais consomem nos EUA. Veja só! Como diria Tyler, o Durden(Clube da Luta): “A propaganda fez com que as pessoas buscassem carros e roupas que não precisam. Gerações trabalhando em empregos que odeiam, apenas para que possam comprar coisas que não precisam”.

Por motivos óbvios, é difícil competir. Tanto as marcas nacionais, quanto o varejo e a indústria ficam desfavorecidos. Muito embora haja um protecionismo através de impostos e dumpings, os produtos gringos chegam a preços competitivos. Uma vez que o custo Brasil(novamente), vem destruindo a indústria têxtil, o que o vai ser herdado pelo comércio de moda e logo pelas marcas, que para vender brasilidade escrevem até Brasil com Z.

O papo é infinito, mas reforço o debate: você consome, você gera consequências. Não é para ser extremo, não é boicote. Mas é preciso pensar sob que condições aquele produto chegou até nós. Como e onde foi fabricado, entrou no Brasil de forma legal, é original?! Enfim, só para começar. Leia também: Escravos da Moda.

Diga-me as suas referências e te direi quem és, vale na arte, vale no pessoal. Nos inspiramos em estilos de vida questionáveis em diversos âmbitos. Aquele mocinho com a polo cheia de bordado, ou com algum bichinho. A calça jeans que parece usada e nunca vai ser porque o cidadão tem mais de 10 no armário. O boné com duas letras bordadas e mais nada. O tênis de corrida que é usado para festividades e eventos sociais. A cueca que veste mal mas é de marca. Ou até mesmo a “grife” que é “ralé” ou taxada como brega na gringa, aqui é vangloriada, famigerada e consumida.

Esses são alguns dos componentes do “Estilo Amofadinha”. Não compre, não dê corda, não pague pra ser.

 

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Formado em 2006 pelo IFF em Design Gráfico, Sérgio Barbosa não se limitou à sua área de formação acadêmica, também já trabalhou como designer de moda e gestor de projetos de co-branding, licenciamento e mídia indoor na empresa Reserva. Como empreendedor criou o site de arte e humanidades deli, e também o selo de sportwear BRAVO F.C., cuja proposta é: aproximar as pessoas das suas paixões. Através de projetos de licenciamento de clubes de futebol de menor expressão, para desenvolvimento e comercialização de linhas de produtos premium. Um sonhador, romântico inveterado, deveras apreciador do bom uso da palavra, assim como das artes em suas diversas aplicações, dentre todas as outras formas de amor.