Logan: Vulnerável e Mortal

Está aí não se sabe desde quando. Já lutou nas Guerras Mundiais, Vietnam e Guerra Civil Americana. Já foi mercenário, lenhador e sabe-se lá o que mais nessa vida que não tem data para acabar. Logan, que atende pelo codinome de Wolverine, é invulnerável, graças ao fator de cura que o diferencia. Ele pode se curar em segundos de ferimentos que seriam fatais em seres menos afortunados de talentos genéticos. O mesmo já não acontece com seus traumas e anseios, que são explorados em Wolverine Imortal.

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Confesso que tenho queda pelos personagens atormentados, como já citei aqui. Vide Peter Parker e John Wayne. E como não inserir Logan nesse grupo? Talvez seja o maior de todos, levando em consideração o tempo que ainda irá penar sobre essa terra. Lembro especialmente de séries como a Era de Apocalipse, na qual Wolverine tem um braço amputado. Lembro também do período em que Magneto retirou todo o adamantium de seu corpo e que ele teve que apelar para as garras de osso, que naturalmente saem de seus punhos serrados. Ao longo de sua imprecisa trajetória, Logan esteve muitas vezes envolvido em missões no Oriente, em especial no Japão contra a máfia. Nessas ocasiões ele supostamente levaria vantagem, já que são inimigos humanos, mas nem sempre é tão fácil. Contra os Samurais e Ninjas, Wolverine tem o que se chama de mano a mano(lâmina x lâmina), o couro come, “xará”. Como ele mesmo gosta de falar nas HQs.

Depois do Fiasco que foi a Origem de Wolverine, parece que a franquia quis fazer as pazes com os fãs do Herói. Fãs esses que eu dividiria em dois grupos: os dos quadrinhos e os do desenho animado, video games, entre outros. Digo isso pois eu gosto menos do Logan quando o vejo no colant amarelo, acho que não reflete a real essência do assassino que ele realmente é, desde antes dos X-MEN sonharem em existir.

As nuances desse personagem podem levar os roteiristas a caminhos quase indigeríveis para as telonas. A verdadeira carnificina que rola talvez fosse melhor representada por gênios como Tarantino(se é que existem outros como ele, que fazem jorrar sangue nas pipocas da platéia, ávida sempre por mais). Já que Quentin não é o diretor, compreendo o caminho mais light, ainda mais se tratando de uma grande produção. Tem que dar bilheteria. Por isso acho que Wolverine Imortal foi um meio termo consideravelmente bom, estrelinha para James Mangold e seus comparsas. Primeiro por mostrar no início da trama o Logan recluso da sociedade em uma floresta no Canadá, que é o habitat natural de seu mood atormentado. Depois por levá-lo ao Japão, que como já disse é um cenário favorável para grandes quebra-paus, e por fim pela tormenta clássica que é Jean Grey em seus sonhos. Esse é o lado mais ingênuo do ancião, que nutre essa paixão desde seu início nos X-MEN, ainda que não correspondida, já que Jean é a digníssima de Scott Summers, o Ciclope.

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O filme é bem conciso, não abusa dos efeitos especiais como o anterior, o roteiro razoavelmente bom, as cenas de luta são empolgantes, destaque para a “guarda-costas” Yukio, que é um show à parte. Os vilões pouco expressivos só reforçam que o que estava em questão é a fragilidade daquele Wolverine já dito invulnerável. O que seria uma missão de rotina para Logan se torna uma batalha dramática por um fator ou pela falta dele, o de cura, que está comprometido e cada vez menos ele consegue regenerar os ferimentos sofridos nas lutas, principalmente os tiros. Pasmem, ele teve até que levar pontos. De um veterinário, claro.

O Wolverine como você nunca viu, talvez o mais próximo que já esteve de nós, mortais.

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Formado em 2006 pelo IFF em Design Gráfico, Sérgio Barbosa não se limitou à sua área de formação acadêmica, também já trabalhou como designer de moda e gestor de projetos de co-branding, licenciamento e mídia indoor na empresa Reserva. Como empreendedor criou o site de arte e humanidades deli, e também o selo de sportwear BRAVO F.C., cuja proposta é: aproximar as pessoas das suas paixões. Através de projetos de licenciamento de clubes de futebol de menor expressão, para desenvolvimento e comercialização de linhas de produtos premium. Um sonhador, romântico inveterado, deveras apreciador do bom uso da palavra, assim como das artes em suas diversas aplicações, dentre todas as outras formas de amor.