DELI ENTREVISTA: Maria Lynch

Maria Lynch é carioca, concluiu Pós-graduação e Mestrado na Chelsea College of Art and Design e utiliza em suas pinturas uma forte paleta de cores que se transforma em objetos, performances e tudo mais. Em 2008 foi selecionada pelo Jerwood Drawing Prize com exibição em Londres e turnê por diversas cidades da Inglaterra. Recentemente ganhou o prêmio Marcantonio Vilaça. Por essas e outras Maria Lynch pode ser considerada um expoente da nova geração de artistas e hoje temos o prazer de entrevistá-la. Valeu, Maria! veja mais: marialynch.com.br

– Em primeiro lugar queríamos te agradecer por nos conceder essa entrevista. Fale-nos um pouco sobre suas exposições: há alguma sendo realizada? Existem projetos futuros em vista?

Em Setembro participo da Bienal de Curitiba e tem uma feira de Arte no Rio também. Ano que vem vou fazer uma exposição no Paço Imperial e, logo no início do ano, vão sair 2 livros que estou fazendo: um sobre o meu trabalho e o outro um livro de artista, é um livro conceitual, mais experimental.

– Em muitas de suas pinturas são retratadas mulheres com rostos indefinidos. Isso tem a ver com a mudança de papéis – principalmente da mulher – que vemos nos dias de hoje? Qual a relação entre a mulher e a arte pra você?

Eu pinto a carne da cor, o devir da mulher me interessa mais, flui mais junto com as pinceladas e a tinta. O assunto é o corpo, o corpo figurativo em oposição as formas inventadas morfológicas, os corpos que se diluem na abstração do sentido e das formas.

– Você trabalha vários formatos, como pintura, fotografia, instalações, entre outros. Nos filmes que você fez, o ruído aparece como elemento fundamental. A música te inspira de alguma maneira? O que você tem escutado?

Trabalho em várias mídias, uma que se desdobra na outra e assim por diante, o que veio da ideia de mostrar essa morfologia, o não-sentido que permeia tanta coisa, mas na imagem pretende que se esclareça. Nos filmes, os ruídos, a música mais atonal e experimental ajudam a criar esse clima mais fictício. Escuto o que me emociona, vozes, pessoas como Antony & the Johnsons, Karen Dalton, Ariel Pink…

– Você tem alguma proposta para o público ou uma causa específica? O que te move?

Minha proposta é que as pessoas divaguem nesse repertório de seres e coisas que crio, que não costumam habitar na nossa realidade, um convite ao delírio, à fantasia, ao devir, ao lúdico.

Ouvi dizer que hoje é o dia do artista. Para celebrar: Artist's Shit - Manzoni 1961, numa Delicatessen perto de você. SB

Brasileiro residente em Berlim. Viciado em música, arte e futebol. Coautor do livro 'D4', de contos e poesias, publicado pela Editora Multifoco, e Marketing Campaign Manager na empresa upday.com